Nos rumos perdidos dos ventos trocados
Todos os rumos,
Nos fumos das piras dos mortos cremados
Todos os fumos,
de todas as piras...
Nas iras dos mares
Que beberam sangue
Todas as iras...
Na ânsia enlutada de todos os lares
Vazios de esperança
Todas as ânsias
De todos os lares...
Nos sexos sangrentos das virgens violadas
Os farrapos
a sangrar
De todos os sonhos que homens sonharam
E homens violaram...
Em todas as dores dos vivos da terra
todas as dores dos mortos da guerra...
E os rumos perdidos
e os corpos ardidos,
e as iras inúteis,
e as ânsias caladas,
E os sonhos, sujos como vidas de virgens violadas
E todas as dores
de todos os mortos que a guerra matou,
e todos os lutos
de todos os vivos
que a guerra enlutou,
Perguntam,
perguntam,
perguntam
a todos os ventos
a todos os mares
às roupas de luto de todos os lares,
Se valeu a pena...
...Os mortos perguntam...
Mas os ventos trocam-se,
o mar não serena
as viúvas continuam a chorar,
e os mortos não páram de perguntar
se valeu a pena...
...Mas a esperança é longa
e bela de agarrar no fundo dos martírios...
Os mortos perguntam,
os mortos protestam...
...Irmãos, os braços são magros,
mas longos,
Longos da ânsia de querer...
...A pergunta é grande e a força é pequena,
mas nós só podemos, Irmãos, responder,
Se valeu a pena...
ecoou por África o grito que ouvi / a dizer à morte para me poupar (Jaime Ferreri)
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
#17 - NO ANIVERSÁRIO DA PAZ, Augusto Gil
Musa da guerra, que alegrias cantas?
Quem ergue e agita as triunfantes palmas,
Se um espasmo de dor prende as gargantas
E a treva ensombra os corações e as almas?
Ainda a vitória não desceu à terra...
Ainda, ainda é um falso nome...
Mas se deliu um torvo espectro -- a guerra,
Aumentou logo o velho espectro -- a fome.
Amorteceu o pávido estampido
Das vozes dos canhões, repercutentes,
Mas enche o mundo inteiro outro ruído:
-- Milhões de bocas a ranger os dentes!
Há nos tratados expressões de paz,
Mas interroga e brada a multidão:
Que bem nos veio dela? O que nos traz,
Se não nos deu contentamento e pão?
Quem ergue e agita as triunfantes palmas,
Se um espasmo de dor prende as gargantas
E a treva ensombra os corações e as almas?
Ainda a vitória não desceu à terra...
Ainda, ainda é um falso nome...
Mas se deliu um torvo espectro -- a guerra,
Aumentou logo o velho espectro -- a fome.
Amorteceu o pávido estampido
Das vozes dos canhões, repercutentes,
Mas enche o mundo inteiro outro ruído:
-- Milhões de bocas a ranger os dentes!
Há nos tratados expressões de paz,
Mas interroga e brada a multidão:
Que bem nos veio dela? O que nos traz,
Se não nos deu contentamento e pão?
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